A página avança, as feridas ficamInspiro suavemente o ar frio da manhã. Até está um dia agradável...
Fui sentar-me perto da rocha grande, aquela onde eu passara bons tempos na minha infância fazendo brincadeiras que preenchiam de magia a minha alma. Hoje, num corpo jovem mas numa mente madura, eu olho para trás e penso o quanto eu era feliz.
Por vezes, eu gostava de ter ficado como a rocha, mas eu cresci, já sou maior do que aquela que para mim fora uma rocha enorme, mas ela continua intacta, mesmo com todos os ataques que lhe fazem as brincadeiras das crianças que, como eu passam a sua infância fazendo dela a sua maior diversão. Às vezes, eu gostava de ser assim, capaz de suportar tudo, até as piores situações, capaz de não tropeçar nos obstáculos… Assim, evitava partir o coração, evitava sofrer tanto como agora.
Eu tenho medos… um dos meus maiores medos é perder aqueles que mais amo, porque no fundo foram eles que me ensinaram a crescer e foram eles que criaram aquilo que agora sou! Eu sei que um dia acabarei por perder alguns, mas enquanto cá os tiver quero aproveitar todos os milésimos de segundo, pois quando perder parte deste meus pedaços de vida será um recomeçar de novo. Tremo só de pensar nas mudanças que podem surgir. Os erros são a nossa lição de vida, e diz-se que só erra aquele que faz a escolha certa, contudo, há erros que marcam, que magoam, que criam feridas que não saram e que o tempo trata de não as deixar cicatrizar, criando outras!
As crianças são tão livres de preocupações, vivem inocentemente, o pior é quando crescem! O tempo passa, o vento muda, a rocha permanece intacta, as pessoas entram e saem, o mundo gira, a página avança e as feridas ficam…
Joana Catarina Teixeira